Terra solarenga e plana que, por entre as oliveiras e os cantares das suas gentes, me leva até à nostalgia dos meus antepassados. Sento-me, como muitos outros o fizeram, debaixo de uma árvore, em plena hora de calor. O sol faz uma onda, lá bem ao fundo, uma ilusão forte que queima os meus olhos e faz com que evite olhar para o horizonte. Trago comigo tudo o que preciso para as próximas horas, a água, o pão esfregado num pouco de alho e regado com azeite e proponho-me a relaxar.
Não será difícil fazê-lo, a agitação das cidades grandes ficou para trás, o Alentejo é outro mundo ainda por descobrir. Os carros passam muito de vez em quando e, eu tenho tempo para descansar um pouco.
Quando estou de regresso a casa, pela estrada mais próxima, encontro as pessoas conhecidas, quer isto dizer, toda a gente, senhores mais velhos com os seus boinas na cabeça, senhoras a conversar à porta de casa, miúdos a brincar nos jardins e, de repente pergunto-me, olhando para os olhos dos mais velhos, Será que aquelas mãos calejadas pelo trabalho do campo trocariam a vida pacata do nosso Monte Alentejano, pela agitação e indiferença da cidade?Eu, estendo os meus ramos a outras paragens, mas as minhas raízes estão enterradas no Celeiro de Portugal, onde ainda se encontram gentes de fundo genuíno e bom.

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