sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Palavras e mais Palavras

Eu não quero voar porque não tenho asas. Correr porque não sou veloz.Dizer piadas porque perdem a graça.
Quero caminhar passo após passo para que possa observar o mundo à minha volta. Chorar de alegria e tristeza quando tenho necessidade disso. Abraçar os outros sem precisar de pedir, sorrir para eles sem medo da rejeição, dar gargalhadas sonoras ao receber uma boa notícia. E depois quando estou entre amigos? Quero poder continuar a falar alto sem ter que justificar que é por causa da cera nos ouvidos. Nos restaurantes, continuar a mexer o café dos meus pais e  no final deitar-lhe açúcar lá para dentro e ficar mexendo, mexendo....
Quero viajar com os meus irmãos pela Europa fora, com os percalces que nos acontecem pelo caminho, e ser rabugenta, irritante, chatinha, faladora, enérgica, bem-disposta, respondona quando sou apanhada desprevenida.
Não quero ser aquilo que os outros querem que eu sejam, quero respirar este ar da mesma forma, continuar a ver o azul do céu com a mesma esperança e o amarelo do sol com o mesmo sentimento de aconhego, vibrar  com coisas insignificantes e supérfluas e depois fazer reflexões filosóficas que aborrecem quem ouve.
Esta sou eu, não uso máscaras, não me escondo por trás de ninguém....

Virado do Avesso

Foi depois que caí em mim. Ao ligar o televisor deparei-me com uma série de notícias sobre a justiça portuguesa que vinham a público. Os altos dirigentes do rectangulozinho pantenteados por um carácter imaculado viam-se estrangulados com a fuga das mesmas. E nós como reagimos?
Distraímo-nos em quintas do Facebook e a ler livros de vampiros. Há quem diga que as quintas até podem ser uma experiência muito prazeirosa, com as trocas entre porquinhos e vaquinhas. Não que eu tenha alguma coisa contra as quintas ou contra os livros, longe disso.
Bem, analisando a questão a fundo, o nosso conformismo e lacismo a algum lugar de destaque nos teria que levar não é? A sermos capas de jornais e notícias de abertura das televisões estrangeiras. Assim, de certeza que todos já sabem onde Portugal fica, lá bem ao fundo, na cauda da Europa.
Tive uma ideia, porque não nos dedicamos, todos a plantar mais nabos, já temos cá muitas, é verdade, mas parece que não suficientes.