Quero caminhar passo após passo para que possa observar o mundo à minha volta. Chorar de alegria e tristeza quando tenho necessidade disso. Abraçar os outros sem precisar de pedir, sorrir para eles sem medo da rejeição, dar gargalhadas sonoras ao receber uma boa notícia. E depois quando estou entre amigos? Quero poder continuar a falar alto sem ter que justificar que é por causa da cera nos ouvidos. Nos restaurantes, continuar a mexer o café dos meus pais e no final deitar-lhe açúcar lá para dentro e ficar mexendo, mexendo....
Quero viajar com os meus irmãos pela Europa fora, com os percalces que nos acontecem pelo caminho, e ser rabugenta, irritante, chatinha, faladora, enérgica, bem-disposta, respondona quando sou apanhada desprevenida.
Não quero ser aquilo que os outros querem que eu sejam, quero respirar este ar da mesma forma, continuar a ver o azul do céu com a mesma esperança e o amarelo do sol com o mesmo sentimento de aconhego, vibrar com coisas insignificantes e supérfluas e depois fazer reflexões filosóficas que aborrecem quem ouve.
Esta sou eu, não uso máscaras, não me escondo por trás de ninguém....
