Nos sonhos da minha infância tudo se resume à quantidade de acúçar que eu introduzi na receita. Hoje decidi fazer algodão doce, aquele que faz com que chateemos os pais quando vamos à feira popular, nos faz ter dor de dentes e de barriga, mas no final traz-nos uma satisfação de missão cumprida.
Ainda se lembram como era difícil convencer os vossos pais a comprar-vos guloseimas?
Algodão doce, pedacinho doce do céu que se desfaz nas nossas bocas e nos acalenta os sonhos mais genuínos, simples e descomprometidos.
Hoje provei algodão doce, vivenciei de olhos abertos a caminhada que fazia com a minha mãe até à feira, alegre da vida, porque os meus sonhos se iam realizar, conduzir carros de criança como se fosse uma adulta. Mais, hoje comecei um negócio. Aqui, bem ao lado da minha casa, tenho um carrinho de algodão doce encostado. É pequenino e simples, mas bem bonito. O meu algodão algodão doce, é especial, está polvilhado com os meus sonhos e esperanças. O seu sabor é sempre diferente, consoante os fios serem mais ou menos espessos. Não vou trocar o meu carrinho por nada. Fazê-lo seria desistir do mundo encantado da minha infância e insistir num desencantado mundo que não me pertence.







