terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Canteiro da sua infância

Uma rosa desabrocha no canteiro do seu quintal.
A avó rega todas as flores e fica ali, plácida, circunspecta a devorar com os olhos a majestuosidade e a vivacidade da pequenita rosa, que por entre lírios, malmequeres e violetas a transportam para o canteiro da sua infância. Um bocadinho de terra onde ela se misturava com os animais inobserváveis e rastejante. Terra molhada e cavada, preparada para gerar vida. O canteiro da infância onde foram enterradas as angústias, preocupações e lágrimas que adubaram, ano após ano o canteiro da avó e germinaram em alegrias, esperanças e amores.
De volta à realidade, a água miudinha que aqui e ali vai chovendo recolhe o carmim das saudades perdidas, do tempo que não volta atrás e que quer recuperar, o entusiasmo da criança que um dia tivera um sonho, espalhar rosas pelos canteiros do mundo.

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